9 de fevereiro de 2013

Uma nova plantação

Começou como uma semente recém plantada nas terras mais inférteis e gastas pelo mau uso. Ninguém soube valorizar preciosas terras como aquelas. Se soubessem seu valor, arrependeriam-se a cada segundo pelos feitos. Terra nova, porém cansada, estava recebendo uma plantação de novo. Era a terceira naquele ano, porém feita na primavera. Um jardineiro, ainda desavisado sobre os possíveis danos e a perda de tempo que teria, resolveu se aventurar por ali e cultivar seus pequenos grãos na esperança de boa colheita. Cuidadosamente, a cada dia, o jardineiro levantava cedo, praticamente antes de ver o sol nascer, e junto a seus materiais de trabalho partia em caminhada para encontro das terras onde havia plantado. Aproximou-se e, com mãos macias e delicadas, adubou como se fizesse carinho em cada pedaço de chão que pisava. Cavava com a pá na finalidade de proporcionar ar fresco naquele local, regava como se cada gota d’água pudesse ser medida para atuar do jeito exato na plantação. Nada acontecia. Passaram-se alguns dias, o jardineiro cumpria a mesma rotina. Cavava ainda mais fundo com a pá, fertilizava, combatia pragas e pestes que prejudicassem sua pequena mudinha de algumas semanas. Como um presente vindo dos céus, o inesperado aconteceu: a plantinha dava os primeiros sinais de vida. Ela estava verdinha por ainda ser nova e era de uma espécie nunca vista na região. O jardineiro continuava seu trabalho, mas não vivia apenas a mercê daquela plantação e por um descuido, a planta foi inteiramente devastada por uma praga, não restando sequer um rastro de caule. Ao se deparar com a cena, o jardineiro coçou a cabeça como se buscasse alguma idéia e percebeu que não adiantava estar em outros canteiros, regando outras mudas se a que mais lhe interessava estava bem a sua frente. Foi então que recorreu novamente aos seus instrumentos de trabalho e refez tudo como na primeira vez, mas parece que a terra relutava em ser “mexida” de novo por aquele tipo de planta do mesmo jardineiro. Insistentemente, a segunda plantação foi iniciada no mesmo local, mas agora, com mais cuidado. Suas mãos macias tocavam a terra pedindo passagem para a plantação das sementes ao mesmo tempo em que pedia desculpas por ter descuidado dela. Os dias corriam e a planta mal reagia, mais dias e nada. Aquela terra já estava em conflito interno sobre deixar-se cultivar ou não. Pela experiência, o jardineiro reparou que ela precisava de cuidados especiais para que tivesse a esperança de colher lindos frutos no futuro. E foi assim, que de todas as formas, ele tentava dar o seu melhor pela sobrevivência dos grãos plantados. A terra ainda estava receosa pelo episódio anterior, mas aos poucos deixava nascer algumas sementes de modo tímido. O jardineiro prontamente fez questão de acompanhar o crescimento da plantinha de perto. Ninguém sabia explicar a mágica daquelas mãos ou qual foi o milagre. Depois de meses, a terra infértil estava com a plantação mais linda de todas, nunca antes admirada pelas redondezas. Suas raízes eram fincadas de modo a transparecer o quanto estava forte, porém sutil aos olhos. Era lindo de se ver. Tudo estava mais “colorido”, vivo, tinha cheiro e aspecto de novo, totalmente o oposto de antes. Qualquer um daquela região agora desejava possuir aquelas terras, mas ela pertencia ao jardineiro, era somente dele e ninguém mais poderia tirá-lo de lá. Sem saber, tornou-a a terra mais fértil na chegada do verão, resistente a mudanças bruscas das outras estações e principalmente protegida de todo e qualquer perigo que pudesse feri-la outra vez.

Nenhum comentário:

Postar um comentário